quarta-feira, 8 de abril de 2026

“O Drama” (2026), Kristoffer Borgli

Vivemos tempos em que os trailers costumam revelar demasiado do conteúdo dos filmes, por isso foi com grande surpresa e entusiasmo que vi, há uns meses, o trailer de O Drama, o novo filme de Kristoffer Borgli, protagonizado por Robert Pattinson e Zendaya. Não há como vermos o trailer e não questionarmos de imediato qual será o verdadeiro tema neste filme, que se desenrola a partir de uma simples frase: qual foi a pior coisa que já fizeste?

Poster de O Drama (2026). A24.

Borgli não me conquistou com O Homem dos Teus Sonhos (2023), típico fever dream que até considerei um tanto aborrecido. E não tendo visto mais nada deste realizador (que também ainda poucos mais filmes tem), decidi ir ver O Drama motivada por uma grande curiosidade. Não sabia que filme esperar, até porque a sinopse apenas nos localiza na véspera do casamento dos protagonistas. E durante algum tempo no filme apenas seguimos todos os preparativos. Até que chegamos ao tão aguardado momento, que reúne a dupla principal com outros dois amigos, numa mesa, e refletem sobre a coisa mais grave que já fizeram. E, obviamente mantendo a magia do Cinema e não revelando mais, nesse momento a narrativa dá uma volta de 360º e começamos a olhar para a protagonista com outros olhos. Questionamos as suas motivações, a sua personalidade e escolhas. E, sem darmos conta, rapidamente começamos a questionar tudo isso, mas na nossa vida. Até porque esta história só reforça uma coisa: nunca sabemos o que vai na cabeça das outras pessoas.

Todos os dias cruzamo-nos com centenas de pessoas na rua, mas nem imaginamos o que lhes passa pela cabeça. E o mesmo acontece até com pessoas que nos são realmente próximas. Até que ponto conhecemos realmente bem os outros?

Acredito que o marketing deste filme vai ser o motivo pelo qual muitas pessoas vão querer vê-lo, para descobrir o que pode deixar um grupo tão chocado ao ponto de ser gritado um “what the fu*k?” tão intenso como o que é proferido pela irmã Haim. Pessoalmente, optei por ler o mínimo possível sobre o filme. Fui vê-lo apenas com a consciência de que era um filme da A24, o que significa que tanto pode ser muito sério, uma autêntica comédia, um choque ou um terror - ou um fever dream. Acabei surpreendida, porque nada me tinha feito sequer pensar na temática que aborda. E foi um daqueles casos em que adorei ir para o cinema completamente às cegas.

De resto, é um filme com grandes interpretações (a dinâmica entre Zendaya e Pattinson é muito carismática) e com uma estética meio vintage, que nos transporta para outros tempos. Para além disso, dá um grande destaque à Fotografia, à Literatura e à Arte, num geral, com referências muito interessantes, que ajudam a trazer as personagens para o mundo real.



Quem escreveu isto?

Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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