terça-feira, 21 de abril de 2026

A epopeia da procura de casa

Atingi recentemente uma das fases esperadas da vida de um adulto: a procura e compra de uma casa! Por enquanto, ainda me encontro no primeiro patamar, a morosa busca por um lar ideal, que em vez de ser entusiasmante, rapidamente se tornou num processo de frustração, desespero e angústia. É que a cada casa que se visita, parece que a distância para chegar até “à tal” está cada vez mais longínqua. Neste momento, não é que tenha visitado assim tantas casas, mas existe uma pressão constante para decidir rápido, quase que por impulso. Não está a ser tão agradável como estava à espera. E isto é quando conseguimos efetivamente visitar uma casa, porque esta procura tem-me levado a perceber algumas verdades sobre o mercado imobiliário...


Os sites de compra e venda de casas estão carregados de anúncios e com imóveis para todos os gostos e capacidades monetárias. Infelizmente, algo que me tenho apercebido é que existem muitos anúncios “pseudo-inativos”. A quantidade de anúncios é infinita, sim. Mas muitos já não passam disso! Existe uma quantidade absurda de anúncios ativos, com casas fantásticas, mas que quando se contacta o vendedor a resposta é: “essa casa já foi vendida, mas diga-me o que procura, para procurar em carteira algo semelhante!”. E segue-se algo do género (e isto é verídico, atenção!): “procuro um T2, remodelado, num prédio construído depois de 2000”. E o vendedor sugere-me algo parecido, que é: um T1 num prédio de 1951, a precisar de obras... E em casos assim, pelo menos sempre conseguimos falar com o vendedor! Porque outro problema é a falta de contactos e respostas: quantas vezes, em sites como o Idealista, por exemplo, aparecem anúncios que só respondem por “chat”, sem contacto telefónico, e depois nem assim respondem...

Uma coisa é certa, se não houver uma resposta, também não conseguimos visitar a casa, mas sempre se evita a pressão dos vendedores. E isso é um autêntico drama! Na primeira casa que visitámos, a conversa do vendedor foi sempre “mas se gostaram, façam uma proposta”, “olhem que já temos várias propostas”, e apesar de termos dito que íamos pensar, ao final do dia (cerca de duas horas depois) já tinha uma mensagem do vendedor a dizer algo do género: “então, mas não fazem uma proposta?”. Acredito que haja gente capaz de decidir assim tão rápido, mas, pessoalmente, acho que investir numa casa não é o mesmo que escolher um par de sapatos (e até para isso eu demoro algum tempo).

Existe muita pressão. E não é apenas uma ânsia constante por parte do vendedor para que o potencial comprador profira as palavras mágicas: “quero fazer uma proposta”. Não! Tenho mesmo sentido que quase todas as minhas visitas a apartamentos estão a ser sob sob pressão. Gosto de ver as casas e ponderar onde vou colocar toda a tralha que tenho; em que lugar colocarei uma prateleira com os meus livros, jogos, e até onde vou deixar a minha estátua de edição especial do Gollum. Mas muitas vezes as visitas são sob o controlo visual do vendedor, que apenas quer mostrar os extras plus + da casa, ou seja, aquilo que considera melhor (como um espelho com Led que fala e que me diz “you are beautiful” na casa de banho), mas que não é algo que, de todo, me fará escolher uma casa.

Se algum consultor imobiliário encontrar esta publicação, não me levem a mal. É o vosso trabalho e sabem muito bem vender o vosso peixe! Isto é apenas um desabafo. Porque eu, enquanto ser humano que está a crescer, não estava, de todo, preparada para isto! E admito que adorava saltar toda esta fase da escolha de um imóvel e saltar já para uma casa que fosse parecida com a dos meus sonhos!
Quem escreveu isto?

Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

2 comentários:

  1. Essa pressão para decidir o futuro de uma vida em 15 minutos é quase asfixiante. Uma casa não é um par de sapatos, como bem dizes, e essa necessidade de "projetar a nossa tralha" (incluindo o Gollum, claro!) exige silêncio e espaço mental, algo que os espelhos com LED e os discursos de venda raramente permitem. O mercado imobiliário transformou-se num estranho lugar onde pedimos um T2 de 2000 e oferecem-nos uma ruína de 1950 como se fosse um favor. Que a casa desejada apareça em breve, de preferência com um vendedor que perceba que o silêncio também ajuda a vender.

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    1. Pois, é isso mesmo. A luta continua! A casa há-de aparecer! 💪🏻
      Obrigada pelas palavras, Daniel!

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