Algumas pessoas que me conhecem dizem que uma das maiores surpresas sobre mim é o facto de eu ser uma grande fã da Eurovisão. E, como tal, nesta altura do ano fico particularmente entusiasmada. Mas, atenção, não sou fã do Festival da Canção da RTP. Para mim o encanto está na própria Eurovisão e na diversidade cultural que nos traz anualmente. Assim sendo, foi com um grande entusiasmo que assisti à primeira semi-final de Viena, depois de já ter visto os excertos dos ensaios e os videoclips lançados. Admito que já comecei a ver o programa com um favorito, mas só durante a emissão é que me apercebi do quão forte estão os participantes deste ano, ao mesmo tempo que é talvez a Eurovisão com mais países em falta, devido ao boicote que muitos fizeram pela participação de Israel - que, ainda assim, levou uma música que está a cativar o público e que, tenho de dizer, também me agrada. A verdade é que a Eurovisão, mesmo que o neguem, acaba por ser sempre um festival extremamente político, mas diga-se que os protestos acabam também por ter um efeito oposto e levam um certo destaque à sua participação - uma vez mais...
A primeira semi-final trouxe-nos quinze participantes. Começando pelo início (mas não me focando em todos!), chegamos ao Aeroporto de Chișinău, com a abertura da música de Satoshi, logo a animar a noite. Não acredito que será uma participação forte o suficiente para levar a Eurovisão até à Moldávia, mas facilmente foi uma das melhores aberturas do concurso. E trouxe também o regresso da representante moldava em 2013, Aliona Moon, com um vestido vermelho a relembrar os seus tempos.
Saltando já para o terceiro lugar, continua-se em grande com as “bruxas” croatas, com “Andromeda”, num estilo folklore, que é difícil de não encantar. Os cenários em palco, as roupas, as “tatuagens” faciais, levam-nos a viajar no tempo e a atingir um patamar sobrenatural. Por momentos, temi que não passassem para a final, mas felizmente voltaremos a vê-las a atuar.
Chega a seguir Akylas, com o seu “Ferto”, uma música que lembra o Psy, ao mesmo tempo que se assemelha também um pouco ao banido “Europapa” há dois anos, mas que leva até aos gregos a possibilidade de serem os anfitriões da Eurovisão no próximo ano, assim como diz com o seu refrão (“Ferto, ferto!” = que se traduz como algo semelhante ao verbo “trazer”). Esta música é enérgica, traz grandes visuais ao palco e uma atuação contagiante. Ainda que a uma primeira vez possa soar um tanto estranha...
No meio de músicas já tão distintas, chegamos ao quinto participante: Portugal, Portugal... Os Bandidos do Cante fizeram uma melhor atuação aqui do que no Festival da Canção da RTP e continuamos a manter-nos fiéis a nós mesmos. No entanto, este ano pedia mais. Ao final da lista, ainda que a atuação tenha ficado bonita com o visual das rosas brancas em palco, não teve tanto destaque. Assim sendo, não me surpreendeu que se tivesse ficado pela final.
A Finlândia, na minha opinião, seria o justo vencedor da edição deste ano. Traz uma das músicas mais bonitas que já ouvi neste festival e também com uma das atuações mais dramáticas, elevando-se ainda mais com o som do violino de Linda Lampenius. As luzes... O cenário com as chamas... As roupas a esvoaçar. É um daqueles casos em que existe um equilibrio entre o staging e a própria música, não sendo apenas uma típica atuação de “fogo-de-artifício”, mas sim também uma canção que mesmo em finlandês nos faz sentir qualquer coisa.
Dos que não passaram, fico com uma certa pena da Estónia, que trouxe uma música com um tom comercial, mas que fica na mesma na cabeça e que é irresistível de se cantar - ainda que em nada se assemelhe ao poder do “Espresso Macchiato” de Tommy Cash no ano passado. Também a música da Geórgia é contagiante e é impossível não nos deixar a dançar. No entanto, dos três membros em palco, temos um que dá tudo e duas que parecem estar com a cabeça noutro lado. Isso transmitiu-se e talvez por isso se tenham ficado também por aqui.
Não posso ainda deixar de referir San Marino, com Senhit a regressar à Eurovisão pela quarta vez e a trazer consigo o grande cidadão de San Marino: Boy George... Que, na verdade, deve ter sido o que levou a maldição dos zero pontos do Reino Unido até San Marino, ao acrescentar absolutamente nada à música “Superstar”, apesar do entusiasmo de Senhit a gritar “Whoooa, Boy George”. Sejamos sinceros, já ninguém fala dele quase desde o “Karma Chameleon”.
Ah! Já quase me esqueci, mas outro destaque foi a Sérvia, a ser o país com a música mais pesada deste ano. E com os Lavina a ter uma grande presença em palco - e já a serem comparados com os Måneskin, apesar do estilo de música diferente. A atuação foi uma grande surpresa e cheira-me que podem ficar, pelo menos, no Top 5 no sábado.
Ainda que, como já disse, o meu favorito deste ano seja a Finlândia - e, neste momento, já não consigo sequer deixar de ouvir “Liekinheitin” - esta quinta-feira temos a segunda semi-final. Pela ordem, penso que não será tão entusiasmante como a primeira, mas a ver vamos!
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