sábado, 2 de maio de 2026

“Michael” (2026), Antoine Fuqua

Existe um certo encanto em ver um inesperado regresso de Michael Jackson ao nosso dia-a-dia, quase duas décadas depois da sua morte, e tudo se deve à estreia de Michael, filme realizado por Antoine Fuqua, que coloca Jaafar Jackson a dar vida ao seu tio. 

Parecia que a “moda” das biopics musicais estava a começar a esmorecer, mas agora chega este filme, que nos leva a viajar pelos primeiros anos da carreira de Michael Jackson, começando pelos The Jackson 5 e seguindo até ao lançamento dos seus primeiros grandes êxitos e início da carreira a solo, soltando-se da pressão do seu pai controlador.

Imagem de Michael (2026). Lionsgate.

Este é um daqueles filmes que dividem as pessoas: bem recebido pelo público geral e extremamente enxovalhado pelos críticos de Cinema. É o esperado neste género. O mesmo aconteceu, por exemplo, com Bohemian Rhapsody (2016). A verdade é que é puro entretenimento. É um daqueles filmes que a nível cinematográfico poderia ser melhor, mas que nos leva ao Cinema com um objetivo, que é cumprido: passar um bom bocado, enquanto revive o “Rei da Pop” e nos leva numa aventura de duas horas em que será difícil controlarmos o impulso de cantar e dançar.

A prestação de Jaafar Jackson é o grande impulso para uma carreira que promete estar em crescimento e que se iniciou aqui em grande - sim, estamos perante um debut! Personifica Michael Jackson de uma maneira que demonstra que o talento corre no sangue. Com um grande destaque para os momentos musicais, aliados a excelentes coreografias. Jaafar torna-se uma autêntica estrela neste filme - e mais lá para o fim, quase nos esquecemos que não é o próprio Michael Jackson naquele papel, de tão semelhante que está (e, para isso, contribui também, claro, um bom trabalho de caracterização e guarda-roupa - para o qual até foram usadas roupas originais que fazem parte da coleção privada de Lady Gaga!).

Existem sequências no filme pelas quais ansiamos à medida que a narrativa se desenrola, como a chegada da criação do videoclip da música “Thriller”, que aliás já tinha sido anunciado no trailer. É uma celebração, que nos leva quase a uma espécie de recriação de um behind the scenes.

Talvez o maior problema no filme seja o ritmo apressado com que a narrativa se desenrola, estando constantemente a alternar entre as sequências musicais e rápidos diálogos, que muitas vezes pouco significado têm, à medida que dá grandes passos ao longo dos anos na carreira de Jackson. Infelizmente, durante os diálogos senti que queria apenas saltar para os momentos musicais, pelo que considero que o guião poderia ter sido melhorado, de maneira a que as conversas entre as personagens fossem mais interessantes para o espectador.

Outro aspeto negativo, na minha opinião, foi o uso de CGI de maneira um tanto preguiçosa. Sem revelar muito mais sobre isto, acredito que podia ter sido evitado com um pouco mais de investimento, ou, pelo menos, melhorado em diversas cenas...

Num geral, Michael é o filme que esperamos que seja. Um típico biopic que viaja pelo melhor da vida de um dos maiores artistas de sempre. E não há nada melhor do que reviver tudo isso enquanto saboreamos de um belo pacote de pipocas.

Quem escreveu isto?

Um grilo falante, que gosta de ler livros, escrever cartas, colecionar figuras e outras tralhas. Cinéfila assídua, apaixonada por viajar, seja em filmes ou, especialmente, no mundo real.

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